Férias com Crianças: Como Sair da Rotina Sem Criar Outra Mais Cansativa
- Georgia Xavier Barbieri

- 6 de jan.
- 3 min de leitura
Quando as férias chegam, junto com elas vem uma mistura curiosa de sentimentos: alívio por desacelerar, alegria por ter mais tempo com as crianças… e, muitas vezes, um peso invisível.
A sensação de que agora precisa aproveitar. Que as férias precisam ser especiais. Que cada dia deveria render algo memorável.
Mas a verdade é que, para muitas famílias, as férias chegam junto com o cansaço acumulado do ano inteiro. E transformar esse tempo em mais uma agenda cheia pode ser tudo, menos descanso.
Talvez o maior desafio das férias com crianças não seja sair da rotina — e sim não criar outra ainda mais cansativa no lugar.

1. O mito das férias perfeitas
Existe uma imagem muito vendida por aí: crianças felizes o tempo todo, atividades criativas todos os dias, passeios incríveis, zero conflitos.
Na vida real, as férias têm:
dias bons e dias difíceis
crianças entediadas
adultos cansados
momentos lindos misturados com caos
E isso não significa que as férias estão “dando errado”. Significa apenas que elas estão acontecendo.
Desconstruir esse mito já é o primeiro passo para viver as férias com mais leveza.
2. Sair da rotina não significa abandonar tudo

Um erro comum é achar que férias precisam ser o oposto total da rotina.
Mas crianças — principalmente as menores — se sentem mais seguras quando algumas coisas permanecem previsíveis:
horário aproximado de acordar
refeições em família
rituais simples do dia
A diferença está no como, não no tudo.
Nas férias, a rotina pode:
ser mais flexível
ter menos compromissos
abrir espaço para escolhas
respeitar o ritmo do dia
Não é sobre eliminar a rotina. É sobre afrouxar.
3. Pequenas quebras de rotina (que não cansam)

Não é preciso criar grandes programações para que o dia seja diferente.
Às vezes, pequenas mudanças já criam aquele clima especial de férias:
café da manhã mais demorado
almoço no chão da sala
um dia sem relógio
passeio a pé no bairro
dormir na sala
escolher o cardápio juntos
ouvir música enquanto arrumam a casa
São gestos simples, mas que sinalizam: “o ritmo mudou”.
E o melhor: não exigem planejamento, nem materiais, nem energia extra.
Se quiser buscar ainda mais ideias criativas para as férias, lá no blog tem um post com sugestões simples e deliciosas de coisas para fazer com as crianças longe das telas e sem sufocar ninguém: Atividades para crianças nas férias — ideias criativas e longe das telas
4. O valor do tédio nas férias
Nem todo tempo precisa ser preenchido. Nem toda criança precisa estar entretida.
O tédio faz parte das férias — e ele não é um problema a ser resolvido imediatamente.
É no tédio que:
surgem brincadeiras espontâneas
a imaginação ganha espaço
a criança aprende a se virar com o que tem
Permitir momentos de vazio é um presente. E também um descanso para os adultos.
5. Férias também cansam (e tá tudo bem)
Passar mais tempo juntos é lindo — e cansativo.
Mais convivência significa:
mais conflitos
mais bagunça
mais demandas emocionais
Reconhecer isso tira o peso da culpa.
Você não precisa amar todos os momentos das férias. Precisa apenas estar disponível quando dá — e se permitir descansar quando precisa.

6. Ideias simples para atravessar as férias com leveza
Alguns lembretes que ajudam muito:
menos expectativa, mais presença
menos comparação, mais escuta
menos “programar”, mais observar
menos cobrança, mais acolhimento
Se em um dia teve só pijama, filme repetido e comida simples…ainda assim foi um dia vivido em família.
Conclusão
As férias não precisam ser extraordinárias para serem memoráveis.
Na infância, o que fica não são os grandes passeios — mas o clima: o tempo junto, o riso solto, a sensação de estar em casa.
Sair da rotina não é fazer mais. É viver com menos pressa.
E, às vezes, isso já é tudo o que as crianças (e os adultos) precisam.










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