Volta à Rotina com Crianças: Como Criar Transições Suaves Depois das Férias
- Georgia Xavier Barbieri

- 9 de jan.
- 3 min de leitura
As férias não acabam de um dia para o outro — mesmo quando o calendário diz que sim.
A casa ainda carrega outro ritmo, as crianças estão mais soltas, os horários continuam flexíveis e, ao mesmo tempo, começa a surgir aquela sensação silenciosa de que “algo precisa se reorganizar”.
Não é mais férias. Mas também ainda não é rotina.
E é justamente esse "entre-lugar" que costuma gerar tensão: adultos tentando retomar o controle, crianças sentindo a mudança antes mesmo de entender o que está acontecendo.
Talvez o segredo não esteja em voltar rápido, mas em voltar com cuidado.

Por que a transição é tão importante?
Para as crianças, a rotina não é apenas uma sequência de horários — ela é segurança.
Durante as férias:
o tempo fica mais elástico
o corpo desacelera
o controle diminui
o brincar ganha mais espaço
Quando tudo isso muda de repente, o que aparece não é desobediência. É desorganização emocional.
Por isso, mais do que “voltar à rotina”, o que as crianças precisam é de transição.
Sinais de que a casa ainda está em modo férias
Talvez você perceba:
mais irritação no fim do dia
dificuldade para dormir ou acordar
resistência a combinados simples
reclamações de tédio
necessidade maior de colo ou atenção
Nada disso é problema. São apenas sinais de que o ritmo antigo ainda está se despedindo.
Transição não é rigidez — é ajuste
Voltar à rotina não significa:
montar um quadro de horários completo
exigir produtividade
preencher todos os espaços
Significa reapresentar o ritmo da casa, aos poucos.
E isso pode ser muito simples.

1. Comece pelo que dá previsibilidade
Antes de pensar em tarefas ou compromissos, foque em:
horário de acordar
horário de dormir
momentos de refeição
pequenos rituais do dia
Não precisa ser tudo. Escolha um ou dois pontos fixos para começar.
A previsibilidade acalma.
2. Nomeie a mudança (as crianças sentem, mesmo sem saber)
Às vezes, tudo que a criança precisa é ouvir:
“As férias estão terminando, e agora a casa vai voltar a funcionar de um jeito diferente.”
Ou:
“Não é mais férias, mas a gente ainda vai com calma.”
Nomear ajuda a organizar o que elas já estão sentindo por dentro.
3. Mantenha alguns respiros de férias

A rotina volta, mas não precisa apagar tudo que foi bom.
Talvez:
um café da manhã mais demorado
um passeio simples no fim do dia
um tempo livre sem proposta
uma brincadeira que virou hábito
Esses pequenos respiros ajudam a transição a não parecer uma ruptura.
4. Sobre o tédio (ele faz parte da transição)
É comum que, nesse momento, surjam frases como: “Não tem nada pra fazer.”
Nem sempre isso é um pedido por atividade. Às vezes é só o corpo tentando entender um novo ritmo.
Nem tudo precisa ser resolvido. Nem todo espaço vazio precisa ser preenchido.
O tédio também organiza.
Se em alguns dias surgir a vontade de propor algo diferente, você pode encontrar ideias simples e criativas neste post sobre atividades para crianças nas férias — sem telas e sem pressão.
5. Traga a criança para a conversa
Mesmo pequenas, elas podem participar.
Perguntas simples ajudam:
“O que você gostou das férias e quer guardar?”
“O que você acha que vai mudar agora?”
“O que você precisa pra esse começo ser mais leve?”
Quando a criança participa, a rotina deixa de ser algo imposto — e vira algo compartilhado.
6. Observe antes de ajustar

Nos primeiros dias:
observe o cansaço
observe o humor
observe o corpo
A rotina ideal não é a mais organizada — é a que funciona para aquele momento da família.
Ajustar faz parte. Rever também.
Para lembrar
A transição não precisa ser perfeita. Precisa ser humana.
Entre férias e rotina, existe um caminho do meio — e é nele que moram os dias mais sensíveis.
Quando a gente respeita esse tempo, a casa encontra seu ritmo de novo.
Sem pressa.
Sem pressão.
Com presença.












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